"Não tenhas a pretensão de ser inteiramente novo no que pensares ou disseres. Quando nasceste já tudo estava em movimento e o que te importa, para seres novo, é embalares no andamento dos que vinham detrás." Vergílio Ferreira, Pensar (1992; 226)
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
e nem só os alunos, Isabela
Desta vez escreve-nos um texto muito interessante e a desdramatizar as alterações acerca do Acordo Ortográfico.
Deixo a referência:
http://novomundoperfeito.blogspot.com/2010/11/lingua-portuguesa-e-de-borracha.html
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
O Expresso /também) faz política linguística
A forma de escrever palavras, a que se dedica a ortografia, não nos porá todos a falar, ou sequer a escrever, do mesmo modo. Mas é uma forma de projetar o nosso idioma
O Expresso, costumam dizer os seus leitores e até os seus mais ferozes críticos, é uma instituição. Embora recusemos essa classificação, no que ela tem de mais institucional, agradecemo-la naquilo em que se refere ao nosso esteio de credibilidade. É, pois, esta instituição, melhor diremos este jornal, que doravante adota o acordo ortográfico.
A nova ortografia entra nestas páginas polémicas à parte. Não queremos com isto significar que o acordo é bom, nem sequer o adotamos por não termos outra hipótese senão fazê-lo. Do nosso estatuto editorial faz parte a defesa da língua portuguesa e é, tão somente, nessa perspetiva que nos colocamos. Consideramos que o português, que nos liga em cinco continentes e é no fundo a nossa pátria, como escreveu Pessoa, fica a ganhar se houver alguma unificação ortográfica, ainda que modesta.
Mas uma consideração de ordem mais prática nos leva a adotar o acordo. Em breve, assentes as ondas da polémica, escrever uma palavra com a grafia que aprendemos na escola parecerá tão desajustado como utilizar as grafias com que Eça e Camilo (para não ir mais longe) escreveram as suas obras literárias. Por exemplo, este título. Se daqui a um ou dois anos escrevêssemos adoptar causaríamos uma estranheza significativa. Seria como agora escrevermos pae ou mãi, a ortografia de antes de 1911.
O Expresso pretende-se um jornal com um grande passado e com um grande futuro. Não poderia ficar agarrado a um conceito por razões de mero conservadorismo ou por alguns dos seus redatores preferirem escrever da forma que aprenderam."
Editorial publicado na edição de 26 de Junho de 2010
O Jornal Expresso aproveita ainda para explicar as principais alterações: ver aqui.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
O novo acordo ortográfico visto pelos falantes
Resumo da intervenção:
Pretende-se, neste ciclo de intervenções, reflectir acerca das múltiplas declinações dos discursos acerca do acordo ortográfico (AO) para a Língua Portuguesa, na opinião pública, e das suas consequências pedagógico-didácticas. Para tal, apresentaremos, depois de uma breve apresentação do conteúdo do AO, uma análise dos textos da caixa de comentários dos leitores do jornal Público (versão on-line), de forma a vislumbrar os discursos que circulam acerca daquele acordo.
As nossas observações permitem-nos afirmar que a discussão acerca do AO envolve múltiplos discursos (isto é, diferentes posicionamentos ideológicos relativos ao objecto discutido):
- discursos (neo e post) colonialistas, servindo de pano de fundo para debater as relações de poder entre os países da lusofonia, mais precisamente, entre Portugal e o Brasil, países em torno dos quais se vislumbram as maiores tensões na discussão acerca do AO;
- discursos de ecologia linguística, no sentido em que se referem às relações entre as línguas, às suas evoluções e espaços de circulação;
- discursos de política linguística, explicitadores, por um lado, dos princípios que influenciam a política conduzida pelos Estados no sentido de conformar o uso da língua portuguesa e, por outro, dos argumentos culturais, económicos e políticos que subjazem ao AO;
- discursos sociolinguísticos, revelando a (falta de) cultura linguística dos cidadãos, nomeadamente os seus conhecimentos acerca de Linguística (evolução diacrónica e sincrónica da Língua Portuguesa; diferenças entre ortografia, fonética, léxico e sintaxe; variantes e variedades; homonimia e homofonia; norma/s ...), assim como atitudes e representações em relação àqueles aspectos;
- discursos didácticos, já que evidenciam imagens e representações acerca da Língua Portuguesa (enquanto objecto socio-afectivo, cultural, político/objecto de poder, instrumento de comunicação, ...) e acerca do modo como se aprende e se ensina.
Tentaremos concluir, depois da explicação e exemplificação de cada um destes discursos e da forma como se relacionam, reflectindo acerca da forma como todos eles interpelam a Didáctica do Português (LM e LNM), colocando desafios ao nível do ensino-aprendizagem desta língua.
Calendarização
11 de Maio- Universidade Johannes Gutenberg (Institut für Romanistik secção Spanische und Portugiesische Sprache und Kultur, Germersheim /Rhein), às 14h.30, na sala 00329.
12 de Maio - Universidade de Heidelberg, às 18 horas na sala de conferência KSII, Seminar für Übersetzen und Dolmetschen (SÜD), Plöck 57A.
18 de Maio - Universidade de Saarbrücken, às 15:00 horas no Geb C7.4 , Raum 1.17.
19 de Maio – Universidade de Freiburg, às 18 horas na Biblioteca do Romanisches Seminar.
1 de Junho – Universidade de Hamburgo(Centro de Língua Portuguesa), às12h15 na sala 663.
2 de Junho – Universidade Livre de Berlim, às 12.15 h, Raum K 26/21 ou Jk 27/022 a.
sábado, 27 de setembro de 2008
Reformulação do ensino do PLE
Pinto Ribeiro, que falvava em Paris nos Estados Gerais do Multilinguismo, manifestou a sua preocupação com as diásporas, onde considera ser necessário fazer um "trabalho de ensino como primeira língua, como língua estrangeira, e como língua que concorre com a língua dos países para onde essas comunidades emigraram."
"Está previsto que se refunde o Instituto Camões. O que significa prestar uma especial atenção a todos estes curriculos do ensino do Português, que vão ter que ter em consideração que há muita gente que não quer Português literário. É preciso motivar as pessoas e responder às necessidades e desejos das pessoas. Para isso, já alocámos um fundo de 30 milhões para a Língua Portuguesa", afirmou.
Falando da defesa e promoção da língua portuguesa, que é central à Presidência Portuguesa da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, o ministro da Cultura salientou que o Português é hoje "a terceira língua europeia mais falada no mundo".
"Nas instituições internacionais, é preciso fazer um trabalho para impor a Língua Portuguesa", salientou.
"A Criatividade e a Inovação Pedagógica no Ensino das Línguas", "A Competitividade Económica e a Coesão Social", e "A Tradução e Circulação de Obras Culturais", foram os principais temas dos Estados Gerais do Multilinguismo, inserido no Dia Europeu das Línguas.
Responsáveis políticos e institucionais, especialistas e representantes da sociedade civil participaram no debate, que decorreu no Grande Anfiteatro da Universidade da Sorbonne, na capital francesa. Todos os participantes colocaram em destaque o benefício que os cidadãos europeus podem conquistar através das suas competências linguísticas. Na compreensão da própria língua, na mobilidade, na evolução profissional, ou até mesmo no acesso a conteúdos e obras culturais.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1344137
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Professores de Português nos Estados Unidos acusam Portugal de não investir no ensino da língua
"A minha escola (Durffe HS) precisa de professores de Português, mas não os encontra porque eles não se formam nas universidades norte-americanas", sublinhou o professor.
"No entanto, o Estado português continua a investir milhares de dólares em Centros de Português em universidades norte-americanas não se sabe bem para quê", acrescentou.
Durante a reunião na Horta, que reuniu 120 professores, ouviram-se muitas queixas de docentes que lutam "com falta de tudo e de mais alguma coisa" para ensinaram Português aos luso-descendentes, reclamando apoio de Portugal.
Lamentam ainda o facto do secretário de Estado Adjunto e da Educação português, Jorge Pedreira, presente no encontro, lhes ter levado uma mensagem que é mais de "desilusão" do que de "esperança".
"De um momento para o outro, a nova legislação do Ensino do Português no Estrangeiro ignora totalmente as escolas comunitárias, a comunidade e o trabalho aqui desenvolvido ao longo dos anos, optando por criar uma certificação que é uma espécie de exame da escola virtual que todos sabem e que ninguém se vai dar ao trabalho de fazer", frisou um dos docentes que participou na reunião com Jorge Pedreira e que preferiu o anonimato.
Lúcia Lopes, por seu lado, referiu que a nova legislação esvaziou estas escolas e estes cursos de qualquer valor junto das comunidades, ao retirar-lhes os professores que aqui se encontravam destacados, agora obrigados a optar entre os Estados Unidos, sem vínculo à Função Pública, e as escolas a que pertencem em Portugal.
Nos Estados Unidos existem cerca de 50 escolas comunitárias pertencentes a associações, igrejas e comissões de pais, onde é ensinada a Língua Portuguesa aos filhos dos emigrantes. O ensino do Português como língua estrangeira existe apenas em meia dúzia de escolas norte-americanas nos estados da Califórnia, Massachusetts e Nova Jérsia.
Os professores que participaram no XVI Encontro manifestaram-se ainda pessimistas em relação ao futuro deste ensino com a passagem da sua tutela para o Instituto Camões, que dizem estar mais vocacionado para o ensino universitário.
A Associação de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá, responsável pela organização do Encontro, pediu, nas conclusões, um compromisso explícito do governo português nesta questão, concluindo que "há a necessidade de implementar uma estratégia comum" para os Estados Unidos e Canadá, "que inclua todos os níveis de ensino, desde o integrado às escolas comunitárias e universidades, através de coordenadores que conheçam a realidade específica deste espaço da diáspora portuguesa".
in Público, 21/7/2008
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Português como mercadoria económica - valerá a pena ir por aqui????
Instituto Camões e ISCTE estudam valor económico do português
O Instituto Camões (IC) está a elaborar, em parceria com o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) um estudo para determinar o valor económico da língua portuguesa, anunciou hoje a presidente do IC.
“Estamos a elaborar um estudo com o ISCTE que terá a duração de dois anos. No primeiro, pretendemos determinar o valor económico da língua portuguesa, e no segundo o seu peso económico”, disse aos jornalistas Simonetta Luz Afonso à margem do colóquio “Políticas e Práticas de Ensino de Português para as Comunidades Portuguesas”, que decorre hoje e amanhã em Lisboa.
De acordo com a responsável este estudo surgiu na sequência da necessidade de se “quantificar o valor económico da língua portuguesa, que se sabe que existe”.
“Recebemos muita informação dos leitorados nas universidades estrangeiras que nos permite perceber que há uma procura crescente pelo português, onde tradicionalmente não se ensina língua portuguesa”, afirmou a presidente do IC.
De acordo com Simonetta Luz Afonso, o ensino da língua portuguesa está a ser muito procurado em cursos como Economia, Direito, Arquitectura, Engenharia, Jornalismo, Medicina, entre outros.
Novas oportunidades de trabalho
“Essa procura fez-nos pensar que tem a ver com o interesse que a língua portuguesa tem para as novas oportunidades de trabalho e pela procura de novos mercados, porque quem vende tem de falar a língua de quem compra”, afirmou.
“A língua portuguesa é uma língua que permite trabalhar e negociar fora da Europa e a União Europeia tem de olhar para as línguas de dois pontos de vista: as que têm mais falantes e as que permitem trabalhar fora da Europa”, defendeu a responsável.
Nesse sentido, Simonetta Luz Afonso sublinhou que o português “não é apenas a língua de 10 milhões habitantes que vivem na Europa”, mas de mais de 200 milhões em todo o mundo.
Relativamente ao Ensino de Português no Estrangeiro (EPE), que vai passar para a tutela do IC durante 2008, Simonetta Luz Afonso adiantou que vai precisar de “um ano para inserir o ensino básico e secundário a partir do momento em que receber os ‘dossiers’ e o orçamento do EPE”.
“Vamos também pensar o que vamos fazer em cada um dos países. Cada universidade onde estamos tem a sua política própria e com o ensino básico e secundário é a mesma coisa. Cada país tem as suas regras”, afirmou.
O colóquio “Políticas e Práticas de Ensino de Português para as Comunidades Portuguesas” termina quarta-feira e conta com a participação de coordenadores do ensino no estrangeiro, conselheiros das comunidades e especialistas.
Ler tudo no Público: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1314190 (18 de Dezembro de 2007).
PS_ Leiam também os comentários dos leitores e só ficarão a ganhar!!!!!!!!!
APETECIA-ME GRITAR COM O RÉGIO: "Não, não vou por aí!"
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domingo, 9 de dezembro de 2007
Miguel Sousa Tavares e a "sua" forma de fazer política linguística
"PS - Há mais de dez anos que vivemos com esta espada suspensa sobre a cabeça: quando não têm mais nada com que se entreter para exibir a sua importância, os senhores da Academia das Ciências e os ministros dos Estrangeiros gostam de nos ameaçar com o acordo ortográfico, cujo objectivo único é por-nos a escrever como os brasileiros, assim lhes facilitando a sua penetração e influência nos países de expressão portuguesa. Como disse Vasco Graça Moura, o acordo é um "diktat" neo-colonial, em que o mais forte (o Brasil) determina a sua vontade ao mais fraco (Portugal). Alguém imagina os Estados Unidos a ditarem à Inglaterra as regras ortográficas da língua inglesa? Ou o Canadá a ditar as do francês à França ou a Venezuela as do espanhol a Espanha?
Dizem que isto vai facilitar a penetração da literatura portuguesa no Brasil, mas ninguém perguntou a opinião aos autores portugueses. Há quatro anos atrás, publiquei um livro no Brasil e, contra a opinião de alguns 'sábios' e as várias insistências da editora brasileira, o livro reza assim na ficha técnica: "A pedido do autor, foi mantida a grafia da edição original portuguesa". Apesar dos agoiros de desastre que essa teimosia minha implicaria, o livro vendeu até hoje cerca de 50.000 exemplares no Brasil. Perdoem-me a imodéstia, mas orgulho-me de ter feito bem mais pela nossa língua no Brasil do que todos esses que se dispõem a vendê-la como coisa velha e descartável."
In: Expresso - http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/175230
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terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Há notícias que não compreendo :(
Língua Portuguesa vai dispor de portal a partir de meados do próximo ano
A Língua Portuguesa vai dispor, a partir do segundo semestre do próximo ano, de um portal – Lingu@e – que visa pensar a língua em termos práticos, como disse ontem Rui Machete. O presidente da Fundação Luso-Americana de Desenvolvimento (FLAD) falava em Lisboa, no âmbito do protocolo ontem assinado entre esta fundação, o Instituto Camões e o Gabinete em Portugal do Parlamento Europeu, que tornará possível colocar o portal na Internet.
Actualmente o portal, “em fase bastante embrionária”, como disse Rui Vaz, do Instituto Camões, está ligado ao site deste instituto, http://www.instituto-camoes.pt. A sua presidente, Simonetta Luz Afonso, disse à Lusa que “em finais de Maio, princípios do segundo semestre, o portal entrará em funcionamento pleno”.
A responsável salientou que o português, sendo falado “por apenas 10 milhões de pessoas na Europa, é falado por 230 milhões no mundo”, sendo a terceira língua europeia mais falada internacionalmente. Este portal visa debater o Português no âmbito da problemática do multilinguismo europeu e “como a Língua Portuguesa e outras línguas comunitárias globais podem ser instrumento de projecção das relações exteriores da União Europeia”.
Paulo de Almeida Sande, do Gabinete em Portugal do Parlamento Europeu, referiu, a propósito, que esta assembleia parlamentar “é um exemplo de como conciliar 23 línguas ofi ciais diferentes” e que o portal permitirá “registar” grande parte do debate que se faz a propósito do multilinguismo. “Será um instrumento não só de diálogo como um repositório de documentos produzidos pelos vários debates que se têm feito sobre o multilinguismo”, disse. O portal terá sete temas de debate, cada um com um coordenador específico.
Basílio Horta, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, coordenará o tema Língua e comércio externo e o escritor Vasco Graça Moura coordenará Língua e Pensamento. Outros coordenadores são Rui Machete, para Língua e Governação, a linguista Edite Estrela, para Novas Políticas de Ensino, Rui Marques, alto-comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural, para Língua, Identidade e Inclusão, e Ronald Grätz, director do Instituto Alemão em Lisboa, para Indústrias da Língua e Intercomunicação.
O portal, que “terá um domínio próprio na Internet” e não dependerá do sítio do Instituto Camões, como disse Rui Vaz, integra-se no Ano Europeu da Diversidade Cultural, que é celebrado no próximo ano. Rui Machete sublinhou “o signifi cado importante” deste portal, que permite “pensar a língua em termos práticos”. “Pensar a língua não apenas como a de [Luís] Camões ou [Fernando] Pessoa, mas como instrumento vital na divulgação das identidades nacionais, instrumento político e económico”, afirmou. Por outro lado, o portal dará à Língua Portuguesa o estatuto correspondente ao seu número de falantes no mundo
in: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1312701
===== Alguém me explica o que é isto de um portal e para que serve? =====
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domingo, 11 de novembro de 2007
Acordo ortográfico: o que muda?
7 das alterações propostas no acordo ortográfico:
- os H de início de palavra cairão: os portugueses deixarão, por exemplo, de escrever «húmido» para usar a nova ortografia - «úmido».
- desaparecem também da actual grafia em Portugal o c e o p nas palavras em que estas letras não são pronunciadas, como em «acção», «acto», «baptismo» e «óptimo».
- o trema utilizado pelos brasileiros desaparece completamente e ao hífen acontece o mesmo quando o segundo elemento da palavra comece com s ou r, casos em que estas consoantes devem ser dobradas, como em «antirreligioso» e «contrarregra».
- apenas quando os prefixos terminam em r se mantém o hífen. Exemplos: hiper-realista, super-resistente.
- o acento circunflexo sai também de cena nas paroxítonas (palavras com acento tónico na penúltima sílaba) terminadas em o duplo («vôo» e «enjôo»), usado na ortografia do Brasil, mas não na de Portugal, e da terceira pessoa do presente do indicativo ou do conjuntivo de «crer», «ler», «dar», «ver» e os seus derivados. Passará a escrever-se: «creem, leem, deem e veem».
- no Brasil, o acento agudo deixará de usar-se nos ditongos abertos ei e oi de palavras paroxítonas como «assembleia» e «ideia».
- com a incorporação do k, w e y, o alfabeto deixará de ter 23 letras para ter 26.
As modificações propostas no Acordo devem alterar 1,6 por cento do vocabulário de Portugal e 0,45 por cento das palavras do Brasil.
Fonte: Jornal Sol
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
E esta hein???? "Governador brasileiro proíbe utilização do gerúndio"
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, demitiu por decreto o uso do gerúndio nos órgãos do governo e proibiu o uso do gerúndio para desculpa de ineficiência.
O político alegou que perdeu a paciência com alguns assessores que estão sempre «fazendo, providenciando, estudando, preparando, encaminhando», mas nunca concluem um trabalho ou estabelecem um prazo para a sua finalização.
José Mário Costa, jornalista e responsável pelo site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, disse à agência Lusa que a medida adoptada só pode ser vista como «simbólica» e com «piada».
Também a professora e linguista Regina Rocha, do Ciberdúvidas, considera que o decreto apenas é válido num contexto político. «O gerúndio é uma forma verbal que sugere duração e prolongamento da acção» e é uma «construção que vem do português antigo», acrescentou.
Estes dois especialistas recordam que em Portugal o gerúndio caiu em desuso, utilizando-se, em seu lugar, o infinitivo. «Ou seja, em vez de dizermos 'estou fazendo', dizemos 'estou a fazer'», exemplificou.
Regina Rocha esclareceu que a própria fonética dos verbos conjugados no gerúndio transmite a ideia de prolongamento, dado que têm mais sílabas.
Sobre a ideia do governador brasileiro, José Mário Costa defendeu a existência de orientações do ponto de vista ortográfico a serem seguidas, nomeadamente pelas entidades públicas, jornais e televisões.
O jornalista deu como exemplo o erro comum de abreviar os números ordinais.
Lusa/SOL (in http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=58704)
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Pré-apresentações
“Quem te viu e quem te vê”: a evolução da didáctica de línguas e os desafios colocados ao ensino do PLE (Jornadas da Língua Portuguesa, Madrid, 18-19 de Abril/2007)
Resumo: Baseado-se a autora nas evoluções conceptuais, investigativas e profissionais da Didáctica de Línguas, serão apresentados alguns desafios que se colocam ao ensino de PLE, nomeadamente ao nível da gestão do currículo e das práticas de sala de aula. Mais especificamente, faremos referência a necessidades e constrangimentos na formação de professores, assim como a novas perspectivas que se abrem ao ensino de PLE, à luz de uma Didáctica do Plurilinguismo.
“dormindo com o inimigo” ou como transformar obstáculos em oportunidades pedagógicas em Português Língua Estrangeira (PLE) (Jornadas da Língua Portuguesa e Cultura dos Países Lusófonos, Badajoz, Outubro/2007)
Resumo: Reflectiremos acerca de problemas-fantasmas de que se fala no ensino do PLE, que passam invariavelmente pela qualidade e quantidade de materiais pedagógicos. Os falsos-inimigos identificados conduzir-nos-ão a explicitar os desafios que se colocam aos professores e as oportunidades de renovação de práticas que acarretam.
Palavras-chave: política linguística, didáctica do PLE, currículo, cenários pedagógicos.