"Não tenhas a pretensão de ser inteiramente novo no que pensares ou disseres. Quando nasceste já tudo estava em movimento e o que te importa, para seres novo, é embalares no andamento dos que vinham detrás." Vergílio Ferreira, Pensar (1992; 226)
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Professores de Português nos Estados Unidos acusam Portugal de não investir no ensino da língua
"A minha escola (Durffe HS) precisa de professores de Português, mas não os encontra porque eles não se formam nas universidades norte-americanas", sublinhou o professor.
"No entanto, o Estado português continua a investir milhares de dólares em Centros de Português em universidades norte-americanas não se sabe bem para quê", acrescentou.
Durante a reunião na Horta, que reuniu 120 professores, ouviram-se muitas queixas de docentes que lutam "com falta de tudo e de mais alguma coisa" para ensinaram Português aos luso-descendentes, reclamando apoio de Portugal.
Lamentam ainda o facto do secretário de Estado Adjunto e da Educação português, Jorge Pedreira, presente no encontro, lhes ter levado uma mensagem que é mais de "desilusão" do que de "esperança".
"De um momento para o outro, a nova legislação do Ensino do Português no Estrangeiro ignora totalmente as escolas comunitárias, a comunidade e o trabalho aqui desenvolvido ao longo dos anos, optando por criar uma certificação que é uma espécie de exame da escola virtual que todos sabem e que ninguém se vai dar ao trabalho de fazer", frisou um dos docentes que participou na reunião com Jorge Pedreira e que preferiu o anonimato.
Lúcia Lopes, por seu lado, referiu que a nova legislação esvaziou estas escolas e estes cursos de qualquer valor junto das comunidades, ao retirar-lhes os professores que aqui se encontravam destacados, agora obrigados a optar entre os Estados Unidos, sem vínculo à Função Pública, e as escolas a que pertencem em Portugal.
Nos Estados Unidos existem cerca de 50 escolas comunitárias pertencentes a associações, igrejas e comissões de pais, onde é ensinada a Língua Portuguesa aos filhos dos emigrantes. O ensino do Português como língua estrangeira existe apenas em meia dúzia de escolas norte-americanas nos estados da Califórnia, Massachusetts e Nova Jérsia.
Os professores que participaram no XVI Encontro manifestaram-se ainda pessimistas em relação ao futuro deste ensino com a passagem da sua tutela para o Instituto Camões, que dizem estar mais vocacionado para o ensino universitário.
A Associação de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá, responsável pela organização do Encontro, pediu, nas conclusões, um compromisso explícito do governo português nesta questão, concluindo que "há a necessidade de implementar uma estratégia comum" para os Estados Unidos e Canadá, "que inclua todos os níveis de ensino, desde o integrado às escolas comunitárias e universidades, através de coordenadores que conheçam a realidade específica deste espaço da diáspora portuguesa".
in Público, 21/7/2008
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Novidades
"Este volume é constituído por um conjunto de artigos de diversas áreas no âmbito do Ensino do Português Língua Segunda (PL2) e do Português Língua Estrangeira (PLE). Todos eles convergem para os domínios da Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas e da Didáctica de Línguas. Contudo, ressalve-se que emerge, ao longo da obra, uma nova área, ou seja, a área do Ensino-Aprendizagem de PL2 e PLE, enquanto área inovadora e autónoma. Não negamos, todavia, que se trata de um campo subsidiário de outros domínios científicos.
Realçamos para além das várias formas de análise teórico-metodológica do fenómeno linguístico em apreço encontradas neste volume, as múltiplas referências bibliográficas aqui feitas, os diferentes corpora explorados, bem como as múltiplas estratégias de ensino de PL2 e PLE apontadas. Acresce, também, a importância dada a questões de aquisição de L2, nomeadamente no texto intitulado “Aquisição de L2”.
Este livro pretende colmatar alguma falta de estudos neste âmbito, nomeadamente num país com escolas cada vez menos monolingues e monoculturais, onde a diversidade linguística e cultural é cada vez maior." (os coordenadores)
Para mais informações (nomeadamente a lista de contribuições e de autores): http://www.fca.pt/cgi-bin/lidel_main.cgi/?op=3&mnu=10&edicao=1&isbn=978-972-757-517-6
quinta-feira, 3 de julho de 2008
sábado, 14 de junho de 2008
Novidades
Nas palavras das organizadoras:
"Português para Estrangeiros: territórios e fronteiras reúne artigos contendo tanto discussões de assuntos relacionados ao tema quanto resultados de análises de dados, sempre abordando questões surgidas da reflexão oriunda de pesquisas, da prática do ensino de Português a falantes de outras línguas ou de atividades relativas à formação de professores. Sejam essas ações pontuais - como aquelas realizadas em projetos de ensino-aprendizagem à distância -, sejam contínuas - como o curso de Formação de Professores de Português para Estrangeiros oferecido anualmente na PUC-Rio ou as turmas de Português para Estrangeiros, oferecidas tanto na PUC-Rio como em outras instituições do Rio de Janeiro e de outros estados do Brasil, todas estão acolhidas nesta publicação.
Buscamos combinar textos que apresentam uma variedade, no que concerne às produções dos autores, de espaço geográfico, nacionalidade e língua, bem como colocar o foco na questão metafórica dos territórios que constituem a área de estudos e pesquisa do Português como Segunda Língua e a sua prática profissional quotidiana. (continua)"
Todos os textos disponíveis a partir de http://www.letras.puc-rio.br/publicacoes/ccci/geral.html
terça-feira, 3 de junho de 2008
Expansão Portuguesa e Diálogo(s) Intercultural(ais)
A mostra, que ficará na sala de Referência da BNP até 29 de Agosto, é comissariada por Telmo dos Santos Verdelho, que no catálogo salienta a "memória histórica da relação interlinguística do português com muitas línguas não europeias", nomeadamente a partir de 1415, quando Portugal conquistou a praça marroquina de Ceuta. Essa influência "alargou-se a toda a África e depois à América do Sul, Ásia e Oceânia", lê-se numa nota à imprensa da BNP.
A mostra está organizada em quatro núcleos: "Percursos e espaços da língua portuguesa no mundo: a expansão marítima e o encontro interlinguístico"; "Contactos próximos: o árabe e o hebraico"; "A produção interlinguística no âmbito da missionação: manuscritos e impressos relativos a África, Brasil e Oriente"; e por último "Lexicografia contemporânea e investigação".
Segundo a mesma nota, "a mostra testemunha a reflexão histórica sobre a diversidade das línguas e culturas e as dificuldades que as mesmas constituíram nas relações iniciais de Portugal com outros povos". A exploração marítima portuguesa e a consequente missionação, tratos de comércio, tratados diplomáticos, revelam "aspectos do mesmo esforço de compreensão da diferença que os documentos agora apresentados comprovam".
O padre José Anchieta assume particular destaque no primeiro núcleo onde estão cartografadas as rotas das caravelas portuguesas que são a origem da actual situação da língua portuguesa no mundo. O "Diário da Viagem de Vasco da Gama" (1498), de Álvaro Velho, é um dos documentos expostos e que "pode ser considerado o primeiro roteiro interlinguístico, onde se encontram múltiplas indicações da consciência da diferença das línguas encontradas e um pequeno glossário da 'linguagem de Calecute'", salienta a mesma nota.
A estreita ligação do hebreu a Portugal é salientada no segundo núcleo que apresenta documentos escritos em hebraico. O comunicado da BNP salienta "a influente e alargada comunidade judaica" e como esta se fez sentir noutros domínios, nomeadamente na cartografia. "O reconhecimento social desta elite urbana exprime-se na inclusão da língua hebraica no currículo humanista a par do grego e do latim". Neste núcleo são também analisadas as ligações com o árabe, desde a conquista muçulmana em 711 e mais tarde com as conquistas portuguesas no Norte de África, a partir de 1415.
O terceiro núcleo é dedicado à missionação e à sua expansão para Oriente, América do Sul e em África. Neste núcleo são apresentados os primeiros dicionários manuscritos, feitos pelos jesuítas, quer de línguas africanas, quer de orientais e de etnias brasileiras. Serão expostas "cartilhas, notícias da chegada da tipografia a paragens distantes (caso do Japão), glossários de línguas tão exóticas como o concanim (Índia) ou o tétum (Timor-Leste), transliterações de dialectos brasílicos e angolanos, notas sobre as estruturas das línguas são alguns dos textos manuscritos e impressos que dominam este núcleo central", segundo o mesmo documento.
“O último núcleo mostra a produção sistemática e crítica sobre o confronto do português com línguas que verbalizam civilizações e mundos diferentes”, refere a BNP.
Esta mostra insere-se nas comemorações do Ano Europeu do Diálogo Intercultural.
Notícia do Público (2/6/08).
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Saramago, a Língua Portuguesa e o Acordo Ortográfico
“Sou um sentimental”
Ladeado pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, e pelo comissário da exposição, Fernando Gómez Aguilera, também director cultural da Fundação César Manrique, José Saramago, 85 anos, manifestou-se “muito feliz por estar em Portugal”.
“Eu tenho uma reputação de ser uma pessoa seca, dura, antipática e de ser vaidoso. Mas eu sou um sentimental”, observou, recordando as razões que o levaram a sair do país em 1993: “Fui tratado injustamente nesta nossa terra e sofria.”
“Este país é o exemplo de algumas coisas negativas, mas é o meu país. Descobri, há pouco tempo, que a língua mais bonita do mundo é o português. Talvez por viver no estrangeiro, comecei a saborear as palavras e a reconhecer a sua beleza melódica”, salientou o escritor.
Acordo Ortográfico pouco importante
Para José Saramago, “a língua é o ar que respiramos” e “há uma grande responsabilidade da comunicação social na defesa da língua portuguesa, a de Camões”.
Sobre as polémicas que tem suscitado o Acordo Ortográfico, Saramago comentou que já foi contra e já foi a favor, mas que, fundamentalmente, esta nova reforma “é uma operação estética à língua”, e vai continuar a escrever da mesma forma, “e os revisores que tratem disso”.
“Haverá facções contra e favor, mas não é tanto importante como a língua se apresenta, mas o que diz, o que propõe”, salientou, defendendo que “há que voltar a escrever bem, o que não é um defeito nem ser pretensioso”, ironizou.
...
Ler a notícia na íntegra no Público on-line, 23 de Abril de 2008!
terça-feira, 1 de abril de 2008
Novidades
« L'intercompréhension»
*SOMMAIRE*
Éditorial, par Bernard DELAHOUSSE et Marie-Pascale HAMEZ
Clin d'oeil, par Benoît CLIQUET
La note du Président de l'APLV, par Sylvestre VANUXEM
* Dossier "L'intercompréhension", coordonné par Christian DEGACHE & Silvia MELO
- Introduction du dossier : un concept aux multiples facettes par Christian DEGACHE & Silvia MELO
- Que peut apporter la didactique de l'intercompréhension aux systèmes éducatifs européens ? par Franz-Joseph MEISSNER
- Les enseignants d'allemand et le plurilinguisme par Françoise CROCHOT
- Le projet VRAL par Sandrine CADDEO & Dominique CHOPARD
- Itinéraires romans par Dolorès ALVAREZ et Manuel TOST
- Programme de formation et parcours personnels d'apprentissage professionnel par
Ana Sofia PINHO et Ana Isabel ANDRADE
- Intégrer l'intercompréhension à l'université par Encarnacion CARRASCO PEREA
& Christian DEGACHE et Yasmin PISHVA
- Au-delà des familles de langues : le projet Eu&I, par Maria Filomena CAPUCHO & Katja PELSMAEKERS
Suite du dossier sur le site www.APLV-LanguesModernes.org (réservé aux abonnés, accès codé)
- Le programme Sapir par Mélisandre CAURE, Tilman CHAZAL & Jean-Emmanuel TYVAERT
- Former des professeurs de langues par et pour l'intercompréhension par Monica
BASTOS & Maria Héléna ARAUJO E SA
- De l'exploitation des genres textuels et types discursifs par Araceli GOMEZ FERNANDEZ
& Isabel UZCANGA VILAR
*Hors-thème
- La simulation globale historique par Jérôme BELIARD & Guillaume GRAVE-ROUSSEAU
*Comptes-rendus de lecture
- Les Etats du monde de Michel ARROUAYS, par Daniel THOMIERES
- Histoires de famille/Historias de familias de Jocelyne ACCARDI, par Catherine D'HUMIERES
*C'était il y a ...
- Voltaire Polyglotte, il y a 99 ans dans Les Langues Modernes, par Francis WALLET
*Livres reçus, par Jean-François BROUTTIER
http://www.APLV-LanguesModernes.org
Courriel : aplv.lm@gmail.com
terça-feira, 25 de março de 2008
Problemas de expressão???
sexta-feira, 21 de março de 2008
Para quem o Português não é Língua Estrangeira
Acrescento, também, o comentário crítico encontrado aqui.
Umas Palavras
- BIA CORRÊA DO LAGO
Este DVD duplo consiste nos melhores programas Umas Palavras exibidos pela canal Futura e comandados pela psicanalista e escritora Bia Corrêa do Lago. Inclui dez grandes entrevistas com os prosadores e poetas: José Eduardo Agualusa, Sérgio Sant´Anna, Lya Luft, Mia Couto, Ronaldo Correia de Brito, Affonso Romano de Sant´Anna, Ferreira Gullar, Augusto de Campos, Arnaldo Antunes e Antônio Cícero. Umas Palavras revela como cada autor produz seus trabalhos, os processos de criação de cada um com as infinitas possibilidades da nossa língua.
terça-feira, 11 de março de 2008
Colóquio de Didáctica das Línguas-Culturas
Resumo
O desenvolvimento de uma competência plurilingue (CP) e intercultural (CI) tem sido colocado como problemática ao nível das práticas de comunicação electrónica, nomeadamente quando integradas em contextos formais de ensino-aprendizagem de línguas-culturas. Destacam-se, numa perspectiva exolingue, sobretudo estudos relativos a fóruns de discussão, a chats e a e-mail, sendo, até ao momento, raros os estudos que tomam o blogue como espaço pedagógico-didáctico de desenvolvimento daquelas competências (por exemplo, Ferrão-Tavares, 2007). Com base neste breve enquadramento, o nosso estudo visa, depois de uma breve explicitação das características deste género electrónico:
- definir “blogue pedagógico-didáctico” à luz das recomendações do QECRL em termos de desenvolvimento da CP e da CI;
- inventariar marcas de dialogismo plurilingue e intercultural observáveis em blogues daquela natureza;
- exemplificar aquelas marcas a partir de um estudo de caso: o bogue “Falar pelos cotovelos”, desenvolvido para o ens-aprend. de Português como LE, em Berlin, junto de aprendentes adultos de nível C1 do QECRL.
(esta apresentação decorrerá durante o Colóquio que dá título a este post, entre 4 e 5 de Abril, na Universidade do Minho)